Weekend



Depois de "O Segredo de Brokeback Mountain" não houve um filme que retratasse o relacionamento gay de forma tão verdadeira como a produção inglesa "Weekend". Em uma história romântica e atual, o diretor Andrew Haigh mostra que o amor pode surgir quando menos se espera – e por que não entre pessoas do mesmo sexo? O filme virou cult de forma espontânea, divulgado principalmente pela internet, e ainda venceu mais de 15 prêmios em festivais pelo mundo - muitos deles sem temática gay. "Weekend" é um belo romance que pode atingir plateias universais. Basta não ter preconceito.

A trama se passa em Londres durante 48 horas, um final de semana, quando Russel e Glenn se conhecem em uma boate e a partir daí passam o tempo conversando, fazendo sexo, usando drogas e saindo para bares. Surge uma intimidade instantânea entre os dois. O problema é que Glenn embarcará para fazer um curso por dois anos nos Estados Unidos. A separação é iminente.

"Weekend" apresenta essa relação com calma, deixando que o público conheça os personagens conforme eles mesmos se apresentam um para o outro. Russel é salva-vidas em um clube, mora sozinho e apesar de assumido para os amigos não conversa com eles sobre sua orientação sexual. Glenn é o oposto. Artista, devasso e com um grupo de amigos festeiros. Também está desenvolvendo um projeto de gravar depoimentos das pessoas com quem se envolve sexualmente. Russel será o próximo. E, definitivamente, o mais marcante entre suas entrevistas.

Um relacionamento ser construído durante um final de semana não seria convincente com péssimos atores. Tom Cullen e Chris New são tão autênticos em seus personagens que fica difícil imaginá-los em uma vida diferente daquela assistida na tela. Cullen surpreende como o protagonista carente e solitário e oferece provas de que pode ter uma carreira de sucesso internacional. Também é bom ficar atento ao diretor Haigh, que ainda escreveu e editou "Weekend".

O filme revela-se praticamente um "Antes do Amanhecer" gay. O casal não visita pontos turísticos como no primeiro, mas se conhece e passa um final de semana junto, até um deles ter que partir. Os diálogos abordam com sinceridade os anseios do público que representa: aceitação pessoal e da família, casamento gay e também discriminação social. Como disse o diretor para o The Guardian, apesar de uma aceitação maior da sociedade, o peso de ser diferente continua. "As mudanças acontecem, mas você ainda tem que lutar contra um mundo heterossexual", falou para o jornal britânico.

Nota: 7,8

1 comentários:

sofia martínez disse...

Foi uma história muito bonita. A estréia da série Looking 2 levou-me a aprender mais propostas sobre filme gay e eu realmente têm sido agradáveis surpresas

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